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06 outubro 2014

BRAZIL. ELEIÇÕES 2014 o impossível é o continuísmo...


BRAZIL 2014: a hora do impossível.
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Marina da Silva
Após anos convivendo ora com “pessimismo esperançado”  ora com “otimismo desesperançado”,  sonhando o Brasil consolidar-se como potência econômica, levando goela abaixo remédios amargos e apertando o cinto e arrochando gastos, desgostosos e sabendo ser mais engodo, e mesmo assim acreditando nas promessas de Sarney/ Collor/Itamar/Fernando Henrique Cardoso e seus planos mirabolantes de conter a inflação, fazer o bolo de riquezas crescer e depois distribuí-lo, em 2003, o povo venceu o medo e Lula chegou  ao Planalto!
Quem não se emocionou e se arrepiou todo ao ver Lula lá, a esperança de novos rumos, mais humanos e sociais, para todos ou pelo menos para boa parte da nação e não chorou ao vivo, a cores de corpo e espírito com a fenomenal posse do metalúrgico presidente que angariou votos prometendo começar fazendo o necessário, depois, reeleito, fazer o possível e quando menos se esperasse fazendo o impossível?  Lula venceu o pior de todos os medos o risco Brasil de calote da dívida com o FMI e medos menores como o de comunistas comendo crianças, queimando padres, dividindo barracos e latifúndios tal qual Mao-Tsé-Tung fez na China assim que tomou o poder! 
Lula lálá, o canto esmagado em 1989 - pelas artes e manhas de forças globais não tão ocultas -que levaram ao poder Collor/Itamar/FHC- criando o terrorismo psicológico e paisagens de medo de confisco de poupança, medo da inflação, da volta dos militares, do comunismo, do risco Brasil, etc - explodiu nas urnas, ruas, praças e becos de todo o país e especialmente em Brasília no dia da posse! A esperança venceu o medo:  “Primeiro faremos o necessário- dizia Lula num debate na Globo- depois faremos o possível- e quando menos se imaginar (ou esperar) estaremos fazendo o impossível”. Lula repetia um bilhete lhe enviado por um jovem militante/simpatizante e se agarrou a isso! O necessário era acabar com a fome de milhões de brasileiros que já vinham sendo assistidos por ações da sociedade civil, cujo principal nome foi Betinho. Dar comida e uma renda mínima era o necessário e se cristalizou no Bolsa-família.
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Collor abriu as pernas  aos países amigos em 1990; Itamar e Fernando Henrique  disputam, desde 1992 e mesmo do além, a paternidade do plano Real, criação do Real e a estabilidade econômica que propiciaram um crescimento, como diria esses analistas de plantão, pífio, e totalmente desatrelado do desenvolvimento humano. Aliás, essa falha grosseira permitirá a ascensão do metalúrgico e o fim do “tucanato”, meramente um pecado capital: a vaidade! 
O aumento da miséria e pobreza do povo brasileiro no governo da social democracia PSDB, fortaleceu o partido dos colaboradores, ops, trabalhadores e agregou a ele aliados inimagináveis! Esta aliança bipolarizando as forças políticas do país vai se cristalizar em três momentos históricos importantíssimos! O primeiro em 2005 com o escândalo Mensalão, uma prática política de segunda comum no Legislativo como a compra de votos [mas com muita força  em todos os poderes], mas que, vinda dos políticos paladinos da pureza política,  ética, moral, honestidade, incorruptibilidade, contra o “toma-lá-da-cá” jogou uma pá de cal na esperança e confiança geral no PT e em alguns petistas de primeira linha! O sonho acabou!
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O Segundo evento, talvez o mais relevante e de transcendental importância para o povo brasileiro, a descoberta de mega campos de petróleo e gás natural na camada pré-sal em 2007, açulou a ganância nativa/estrangeira e foi abafada numa extensa cortina de fumaça inabalável chamada Mensalão PT. O Mensalão PT na verdade foi salutar e de importância geoestratégica e geopolítica mundial, porque enquanto a mídia a todos abduzia com a palhaçada televisiva que durou anos e culminou com o "julgamento do século", uma densa cortina de fumaça serviu para camuflar as maracutaias, apropriação e expropriação das riquezas do pré-sal!
Lula foi reeleito para desgosto da “burguesia”, a classe média que além de engolir um presidente simples, do povo, “analfabeto” viu sua renda enfraquecer, encurtar e até desaparecer! Adeus New York, Disney, Paris! Os anos seguintes foram caracterizados pela invasão do Life style 1.99, made in China, genérico e falseta! “Triste sina América Latina não caberemos todos em Miami” e ame ou...deixe-o!
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O terceiro evento tal e qual o Mensalão deu muita capa de revista e sustentabilidade ao “Lulismo”, rendendo votos, reeleição e pole position nas eleições seguintes e em 2010 colocou Dilma Rousseff no Planalto e na história como a primeira mulher presidenta do Brasil, ou como queiram, presidente: a ascensão meteórica da classe média C [d,e] destaque a  média C que, embora muitos queiram ligá-la às esmolas da Bolsa-família, a realidade é que nasceu no PAC I com o sangue, suor, trabalho na construção civil, sobrevalorização dos preços da mão-de-obra e materiais de construção e na especulação imobiliária. Minha casa...minha dívida! Super Dilma faz um golaço de placa e o Brasil, não levou a taça, mas permitiu uma mega concentração de riqueza e desvio do dinheiro público nos Pac’s II, Pac Copa, Pac Mobilidade urbana, PACto corrupção!  A roubalheira estava(?) tão escancarada que forja-se um pacto entre direita, esquerda, centro, laterais, zaga, enfim, acabou de vez qualquer desavenças políticas entre cerca de 30 partidos políticos! Todos pela corrupção! 
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Foi o lema, tema e estopim das revoltas e manifestações que eclodiram em Junho de 2013 em todo Brasil e ressuscitou as bestas, as fardas, a violência, o medo, e fortaleceu o autoritarismo e terror contra a população! Eles são os corruptos e corruptores, os ladrões da nação e o povo... Vândalos?! O medo criado pelo terror, pela truculência e violência das polícias, fardadas ou infiltradas nas manifestações (99% dos conflitos, vandalismo, ataques a patrimônios públicos e privados, especialmente em Minas Gerais foram iniciados pelos infiltrados), a violência contra civis, o uso e abuso de armas letais (o terror em Copacabana) fez os brasileiros recuarem! “Meus inimigos estão no poder, Ideologia, eu quero uma pra viver”!
Fotos Marina da Silva. Junho 2013. Belo Horizonte. Minas Gerais. Brasil.
"Fardas e forças forjam as armações..."
A preocupação com a violência durante a Copa da corrupção e as eleições 2014 se esvaneceram no ar quando os governos se alinharam e deram total poder aos militares contra a população! No modo letárgico, impotente, com o ICP- índice de confiança nos políticos abaixo de zero, são as armações contra o partido de Marina Silva, REDE, que conseguiu agregar os descontes, a resistência no meio artístico e boa parte da classe média, sem falar nos pobre e miseráveis abaixo da linha do Equador e criar uma parca esperança em algo novo. Melindrada e inviabilizada a candidatura de Marina Silva, por “forças ocultas”, coube a Eduardo Campos a ressurreição da esperança e IPC que também se estilhaçou em zilhões de pedaços na queda do seu helicóptero... descanse em paz!
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Às vezes quando tudo parece dar errado...Marina Silva ganha a cabeça da chapa PSB e tem uma ascensão meteórica no “ibope”, desancando  o sonho de presidência do PSDB via Aécio Neves, hoje mero candidato com a missão de roubar votos das duas petistas, ops, ato falho, Marina da Silva já foi vermelha antes de ser verde, despolarizando a competição! A ascensão de Marina Silva, verdadeira e/ou forjada serviu muito bem aos propósitos dos companheiros e camaradas que achavam muito antipático e apático e sem rodízio a distribuição de cargos na Lulacracia! Em nome de Marina Silva, rolou uma dança das cadeiras de alto escalão antecipada. Lula lá, aqui e acolá, em todos os grandes currais eleitorais do Oiapoque ao Chuí é o cabo de Dilma e tudo mais combinado e arranjado vão fazer o impossível: o continuísmo.
Foto Marina da Silva. Petrorreais? A hora da partilha não chega nunca sairá dos discursos eleitoreiros!
Impossível mesmo é acreditar como veio a público que todos os avanços conseguidos por Lula  foi contrariado pela pesquisa recente do IBGE que escancarou, por "descuido" calculado, estatisticamente falando, às vésperas do pleito, que em 2013 o Brasil  não avançou muito além do possível ou necessário como  o governo esquerdista conseguiu o espantoso feito neoliberalista: concentração de riquezas apenas para um dos lados, o lado mais rico da nação!
 Primeiro turno chegou...Dilma presidenta, ops, presidente!




2014. setembro:


"ERROS NA PESQUISA. IBGE ADMITE ERROS EM DADOS DIVULGADOS NO PNAD

Segundo o instituto, ao contrário do que afirmavam os dados divulgados anteriormente, a desigualdade no Brasil caiu. 20 de setembro, 2014"

"O diretor de pesquisas do IBGE, Roberto Olinto, disse que não houve interferência política na divulgação dos dados, mas sim um erro. “Não há o menor indício de pressão. Nós encaramos o fato como um acidente estritamente técnico e que será investigado”. Já a presidente do IBGE, Wasmállia Bivar, pediu “desculpas pelo transtorno e disse que o instituto está investigando o ocorrido. “Estamos aqui abatidos com esse erro. Vamos fazer o máximo possível para esclarecer”, disse a presidente. O episódio pode causar a demissão de Wasmállia."
1994. Ministro da Fazenda. Governo FHC:  Rubens Ricupero a Carlos Monforte da rede Globo[fora do ar]:
 "Quando a gravação começa, o assunto é a taxa muito alta do IPC-r de agosto, índice que a equipe econômica encomendara ao IBGE. Ricúpero ataca o instituto: "Eles fizeram um tremendo erro metodológico. ( ... ) Há uma tese também, um grupo que diz que o IBGE é um covil do PT".  "No fundo é isso mesmo. Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim, esconde". Grifo meu

30 setembro 2014

BRAZIL: INCOMPETÊNCIA, ATRASO, CORRUPÇÃO E PAVIO CURTO!


SÍNDROME DO PAVIO CURTO
www.google.com.br/images. Mensalão. Estas peças tem pavio curtíssimo e por pouco não se "pegaram"! "Vossa excelência provoca em mim os instintos mais primitivos". De Roberto Jefferson a esquerda para  José Dirceu.

Marina da Silva
É esse o nome dado a doença que vem acometendo a população, principalmente nas grandes cidades, metrópoles e megalópoles do Brasil. Esta notícia fantástica e de transcendental importância para a humanidade saiu na BandNews. Se você anda estressadinho, esquentadinho pilhado, com os nervos à flor da pele, de saco cheio e PT da vida...cuidado! Significa que você está por um triz de um surto psicótico-louco-esquisofrênico-demente-paranóico e chutar o "pau da barraca", veja, isto é, chegar às vias de fato numa fúria assassina em qualquer dia de cão, muito comum no cotidiano brasileiro.
Altos índices de violências, brigas no trânsito, surtos com funcionários de telemarketing, bancos, com o sistema de Saúde frágil (estou sendo boazinha), sistema educacional reduzido a mediocridade, transporte público uma desgraça, inclusos aeroportos, metrôs e busão, poder absoluto da corrupção em todos os poderes, etc e tal também acabam encurtando o “pavio” do povo colocando a nação em modo ataque!
Mas de onde surgiu esta Síndrome do pavio curto?
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Rumorejando, tal e qual Juca Zokner, sobre o atual estado bélico do Brasil, pode-se detectar o nascimento da doença lá na era Sarney que tinha metas, visão, missão, planos estratégicos de matar o dragão da inflação no tiro, à bala, apertando gatilhos. Antes de Sarney estavam no poder as "bestas fardadas" e os pavios foram proibidos pelo autoritarismo, terrorismo, torturas, assassinatos e “desaparições”! Pode-se induzir a população a acreditar que a Síndrome do pavio curto pertence ao Brasil e a  este século, mas uma leitura básica sobre a História das Civilizações  encontraremos lá  o barril, a pólvora, o pavio curto e o estopim no processo de construção da sociabilidade humana. Se ficarmos só no surgimento, ascensão e consolidação do Capitalismo teremos a síndrome do pavio curto nas Revoluções americana e francesa, nas revoltas de 1848 na Europa, nas duas Grandes guerras mundiais do século XX, nas zilhões de pequenas guerras no Oriente Médio, África, na derrocada do socialismo do leste europeu e no Brasil no golpe de Vargas [anos trinta] e dos militares [1964]. Na verdade pode-se ficar chocado, mas a síndrome do pavio curto é endêmica e inerente a vida em sociedade.
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 Voltando aos dias atuais, terceira revolução tecnológica nos meios de comunicação, transporte, informação, robotização, bioengenharia, internet, redes sociais e tal e caindo dentro do Brasil...
www.google.com.br/images. Junho de 2013. Pavio curto: o aumento das tarifas do busão foi o estopim das manifestações contra a corrupção no governo, os gastos absurdos com as obras da Fifa e a violência policial, principalmente contra os pobres.
O que está por trás do atual fenômeno da Síndrome do pavio curto? O corre-corre das grandes cidades e os engarrafamentos no trânsito podem ser a resposta simples e fácil lá para os meados do século passado! Em tempos “pós-moderno” a condição para a apreensão e compreensão do fenômeno que culminou na explosão Revolta do busão em Junho de 2013 e ressuscitou as bestas e as fardas é necessário evitar duas das principais características da era globalizada: velocidade máxima e respostas rápidas!
A partir de Vargas, a economia foi redirecionada para a industrialização concentrando esforços (verbas)  no centro-sul do país, destaque para São Paulo e Rio de janeiro. A hiper concentração de indústrias e mão-de-obra transformaram o país, antes rural e exportador de produtos primários (latifúndios, monocultura) em urbano/industrial sem que estruturas e equipamentos urbanos necessários ao bom andamento  das cidades acompanhassem o ritmo da urbanização. Habitação, alimentação, saneamento básico, transporte público, sistemas de saúde, educação e formação da mão-de-obra em descompasso com a industrialização passaram  a fazer parte da demanda social e da pauta de discursos eleitoreiros.
Colonizado, o sistema político de caráter corrompido, foi e é um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico, social, humano do Brasil. As obras públicas são moedas políticas e atendem a interesses escusos de empreiteiros, banqueiros, ruralistas, usineiros, especuladores nativos e/ou estrangeiros em detrimento da funcionalidade e estabilidade do corpo social. O aumento vertiginoso das favelas, verdadeiros complexos; a ascensão e consolidação do narcotráfico, do consumo de drogas, das chacinas e ainda, o aumento da violência geral e contra mulheres em particular; a baixa qualificação da mão-de-obra, a debilidade da Saúde e Educação, do sistema de transporte público, a banalização e aumento em escala geométrica da corrupção, etc e a lentidão e qualidade das respostas dadas às demandas sociais em tudo, no transporte  e tráfego de veículos, especialmente retratado na reportagem BandNews de 27-09-2014 não só encurtam o pavio dos brasileiros e brasileiras como aumentam a pólvora do barril e detona explosões violentas nas brigas de trânsito.
www.google.com.br/images. Quanto foi gasto com a World Cup 2014? Mistério.
Usando como exemplo Belo Horizonte, capital de Minas Gerais: no início do século XXI ficou constatado a olho nu e a olhos visto e também nos laudos técnicos dos engenheiros de tráfego que as duas, das principais artérias de escoamento de veículos (70.000) as avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado estavam congestionadas, entupidas e necessitavam de uma intervenção rápida. Solução...duplicação! Mais de uma década [2003-2014] entre duplicação, destruição, erros, reconstrução e nova destruição para instalação do Bus Rapid Transport- Brt, os mesmos problemas persistem, pois neste ínterim, a frota de veículos duplicou [140.000], o Brt estreitou todos os trechos duplicados com instalação de mega estações inacabadas e Beagá vive num canteiro de obras elegendo e reelegendo a mesma canalha. O que também duplicou, triplicou foi o desânimo, a impotência e irritação dos cidadãos frente aos desadministradores eleitos democraticamente para fazer bem, fazer mais e melhor para a cidade o que leva os indivíduos a sair nos tapas, fazer justiça com as próprias mãos, fato tratado como último estágio da síndrome do pavio curto pela BandNews 24 horas de desinformação no ar! 
www.google.com.br/images.  03-07-2014. Viaduto novinho das obras de mobilidade urbana da World cup 2014...caiu, matou 2 pessoas e feriu umas duas dezenas, além de desalojar e comprometer a moradia de muitos outros. Culpados??? Cowan diz que foi falha no projeto da obra meia-boca coordenada por ela!
E é claro que após a publicação deste texto, os doutores da mídia me enquadrarão no CID- 171(Código Internacional de Doenças) com grau máximo da Síndrome do pavio curto, porque, só não vou as vias de fato pelo uso de uma estratégia defensiva e fantástica válvula de escape: minha munição são as palavras! Pronto, falei!
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QUE PAIS É ESSE?
Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

No Amazonas, no Araguaia, na Baixada fluminense
No Mato grosso, Minas Gerais e no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Terceiro Mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão.

Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

28 setembro 2014

BRAZIL: Belo Horizonte desadministrada: A MISÉRIA DO CRACK!

CRAQUEADO*
Foto Marina da Silva. Uma das inúmeras cracolândia de Belo Horizonte. Esta fica na entrada da favela Pedreira Prado Lopes- PPL. Que recebeu uma limpeza geral e umas camadas de tinta colorida para esconder a Copa das Misérias a caminho do Mineirão!
Marina da Silva

23-09-2014.
Acordei primavera cantando tralálálá, trabalhei tralálándo e sai tralálá para uma consulta controle com meu psiquiatra na área hospitalar usando o super hiper mega plus ineficiente transporte urbano de Beagá. Sorri ao mencionar “meu psiquiatra”, porque descobri que “os normais” quando precisam procuram ajuda de psiquiatras e psicólogos ou Deus, já os loucos acham que psiquiatra é coisa de doido!
Saí do consultório as 15H30 e parti acelerada para o ponto de ônibus do BRT- Bus Rapid Transport Tabajara, o novíssimo, inacabado, meia-boca e ineficiente sistema de imobilidade urbana de BH. Meu objetivo era só entrar no ônibus, uma vez que,  a partir das 16:00 para entrar é só no braço, luta encarniçada e de pouquíssimo bom tom! Se não consegui o feito até  16H01, esquece... entrar num BRT só dá pé lá pelas 19/20H. Perdi o primeiro busão e embarquei minutos depois e milagre: sentei!

Foto Marina da Silva
Aproveitei para fazer o para casa de Francês. Só voltei de Paris quando alguém entrou alvoroçado numa das estações centrais conduzindo dois idosos, falando alto e pedindo passagem e lugar para os mesmos. À está altura o BTR-51 tinha passageiros saindo pelo ladrão. O rapaz voltou e ficou na parte sanfonada do ônibus travando conversa com um senhor que se sentou aos pés de duas senhoras jogando a mochila no chão e sacando dela uma pet de soda limonada cheia de cachaça. Voltei para França e de repente começou um sururu lá no sanfonado. Os homens travavam uma batalha singular: o rapaz que ajudou os idosos queria impedir o senhor de beber cachaça dentro do ônibus e a coisa ficou feia, pois o outro indignado, saiu com essa:
_ Fica na sua seu sujo, fedorento, maconhado!
Sujo, fedorento não incomodou o rapaz, mas chamá-lo de maconhado, drogado e que dorme na rua dentro do busão lotado lhe subiu pelas tampas!
www.google.com.br/images. Eufrazino puxa briga, personagem Looney Tunes, é um homenzinho irritadiço, zangado, mau humorado e briguento.

E toma impropérios de lá para cá num “repente” nordestino articulável na sanfona do busão a lá Caju e Castanha! O homem da cachaça permaneceu sentado e bebendo desafiadoramente enquanto o outro, realmente muito sujo exalando um mau cheiro desgraçado resolveu por ordem no recinto:
_ Não se preocupa não gente! Na primeira estação vou jogar esse bêbado pra fora! E o bate-boca continuou. Era um desafio insólito: uma disputa de honra, de dignidade. Na estação seguinte não aconteceu nada, mas o rapaz foi para a frente do busão. Entraram mais pessoas e eu e outra mulher cedemos o assento para um casal muito simpático. Fiquei desconfortavelmente pendurada entre a sanfona e a porta  automática e pior, ao lado de um dos brigões, o da cachaça,  que passou a contar sua vida de trabalhador, da mulher que teve e morreu, dos 20 anos que cuidou de uma chácara e dos filhos do dono da mesma, informando que não queria saber de mais nada, só ficar solteiro e com a marvada. A garrafa de cachaça fora guardada, tudo parecia nos conformes e passamos mais uma estação sem nenhum quiproquó. Dei graças a Deus por ter os brigões separados.
Estações BRT: são gigantescas contrariando a lógica da mobilidade, celeridade, rapidez. Além de estreitar a avenida duplicada, são mais de 40 gigantescas estações num trajeto de menos de 4km. Paradoxo? Não. É um Tsunami de dinheiro público saindo para o ladrão! Início da obra março/2011. 2014 inacabada.

_ Na estação Odilon Bherens/IAPI/favela PPL, o ônibus para, o rapaz salta para estação adentro, atravessa correndo no meio do povo para pegar o bebum pela porta traseira e cumprir o prometido. Foi tudo muito rápido: o bêbado ficou sóbrio e saltou em velocidade máxima sacando uma chave de fenda -que surgiu do meio do nada- enquanto o outro apanhava literalmente das portas automáticas que naquele fecha e abre deu um tultz e soltou um barulhão. As duas senhoras sumiram vazadas lá para o fundão e eu passei voando para o outro lado.
Lá na frente do linguição nem trocador nem motorista estavam sabendo de nadica de nada da briga e até eu berrei: _ Boooora motorista!
Por pura sorte a coisa não chegou às vias de fato e tudo graças aos sensores abre/fecha das portas automáticas que milagrosamente estavam funcionando. O sistema automático já está danificado e sem reparos há mais de um mês.
_ Eu queria ver ele aqui dentro, o senhor dez anos mais jovem, cantava bravatas, ia furar o pescoço dele. Ele é um sujo, não toma banho, um craqueado, não pagou passagem.
Depois do susto, muita gente sem entender nada, o brigão e as senhoras ocuparam seus devidos lugares, assim como a  chave de fenda e a garrafa de cachaça. E lá vem tralálá de novo desencando aquele “craqueado” que esmola no centro da cidade.
Ele não -repetia- nada de maconha, nada de cigarro, nada de crack.
_ Meu vício é a “Branquinha”! Bateu na mochila com força. Ele é muito falador, queria ver ele aqui dentro, queria ver a coragem dele de me encarar aqui dentro. Eu ia furar o gogó dele!
Imaginei uma jugular estraçalhada e eu toda banhada de sangue.
_ Aqui dentro ele não tem coragem! Craqueado safado!
www.google.com.br/images. BRT auto-combustão, BRT velhos caindo aos pedaços, etc.

O que não acontece nos ônibus de Beagá? Pensei sorrindo. Homens relando mulheres, assediando com palavras, bate-boca, gente pedindo esmola, vendendo balas, canetas e outras mercadorias, assalto a mão armada, motorista largando o ônibus estressado, passageiros e trocadores aos berros e trocando tapas. Até mesmo assassinatos e ônibus incendiados.
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Ainda bem que estava quase em casa e de costas para  aquele danado que de repente soltou um peido alto, catinguento, disgramado que incendiou de gases terríveis onde eu estava, a parte sanfona do BRT articulável.
_ Em caso de despressurização -dizem aeromoças- máscaras de gases não caíram automaticamente ao seu lado! Quis vomitar o almoço, mas já estava metabolizado. Joguei a ventilação bem na minha cara e fui acompanhada por outros infelizes que foram alvejados pelo pum fedorento daquele...afff 
www.google.com.br/images. Ninguém merece!

Só me restou prender a respiração e não morrer até a estação Liberdade! 
Não consegui tal façanha e desci desesperada  e enojada na próxima parada e quando saía com muitos outros, vi entrando sorrateiro sem pagar passagem, um rapaz sujo, cor indefinível, descalço e com o mesmo jeitão do puxabriga craqueado. 

E ainda assim temos os melhores prefeitos, verdadeiros reis????

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“Deste país que tanto amo e deste povo que tanto piso. Que é que eu sou? Sois rei!” Salve Jô Soares!
www.google.com.br/images. OS PIORES DE BELÔ. BH E MG DESADMINISTRADA!
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* Craqueado: nome dado àquele que tem vício no crack [durante a briga no busão)