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25 julho 2015

BRAZIL $1,99: CORRUPÇÃO...

MUNDO $1,99: A CORRUPÇÃO DO CARÁTER HUMANO

Mosaico a partir de www.google.com.br/images. Em 1972 Nixon se "rende", apesar de anti-comunista, às possibilidades capitalistas na China. Nesse ano visita Deng Xiao Ping e Leonid Brejnev derretendo a "Guerra Fria".

Marina da Silva*


Quando no governo de Richard Nixon [1969-1973; 1974(Watergate e renúncia] os Estados Unidos congelaram a “Guerra fria” e abriram a China para o mundo capitalista, leia-se primeiro mundo, foi dada a largada para um retrocesso e perdas inimagináveis de todas as conquistas históricas humanas materiais e espirituais construídas ao longo processo de desenvolvimento da sociabilidade humana.
A Gold Age ou a era de ouro do capitalismo moderno – fase de reconstrução dos países assolados pelas duas Grandes Guerras – agonizava e chegava ao fim nos anos sessenta, século XX. A década seguinte, anos setenta com a crise do petróleo, base energética da indústria, o aumento exponencial da competição pelos mercados com a reconstrução da Europa, Japão (invasão de produtos) e ascensão de novas nações industrializadas, os tigres asiáticos jogaram “a pá de cal” no sistema fordista/taylorista. 
http://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/comercio.html "Nos anos 70, a importância das exportações de matérias-primas industriais, como produtos químicos e aço, entrou em declínio, e as exportações de maquinário e eletrônicos aumentaram conforme produtos de valor agregado ganhavam uma ênfase cada vez maior.
A partir dos anos 80 e até o início dos anos 90, houve um rápido aumento das exportações de produtos de tecnologia intensiva – como computadores, semicondutores, eletrônicos de uso comum, ferramentas industriais, máquinas de fax, automóveis e outros meios de transporte."
Produção em massa, massa de trabalhadores, plantas industriais gigantescas, sindicalismo de massa, forte e atuante vão sendo substituídos e adaptando-se à produção enxuta horizontalizada (Toyotismo e variantes) e criando um novo estilo de produzir, novas formas de gerência e relações de trabalho [subcontratação, terceirização, escravidão], dando fim ao sonho de progresso e ascensão social individual verticalizado! Uma fenomenal onda de novas tecnologias e descobertas científicas colocaram em curso uma mudança no caráter da produção: plantas industriais pequenas, uso intensivo da informatização, robotização, mecanização com base na microeletrônica, bioengenharia, etc, aliada à fantástica revolução nos meios de transporte e comunicação e fortalecimento do neoliberalismo (Estado Mínimo, privatizações)  foram solapando as conquistas sociais, enfraquecendo o sindicalismo combativo, o “estado de Bem-estar-social" e criando desemprego tanto pelo fechamento e relocalização industrial dentro da fronteira nacional e mesmo a dispersão geográfica de etapas da produção ou toda produção para países periféricos, leia-se China!
Foto Marina da Silva. Capa do livro. " E eu queria responder a grande pergunta: estaria a China entrando também na sociedade de consumo?" Henfil, 16-07-1977.

Em 1977, um ano após a morte de Mao-Tse-Tung, “o comunista roxo” Henfil chega a China “antes da Coca-Cola”e intuitivamente “sentiu” que havia algo suspeito no ar: um forte discurso ideológico autoritário comunista amparando e dando sustentação a produção capitalista!
Tiro certeiro, Henfil capturou o “espírito da coisa”, um sistema capitalista híbrido, o capitalismo-comunista ou comunismo-capitalista em seu nascedouro. Cerca de duas décadas após a visita histórica de Henfil,  a China entra para a Organização Mundial do Comércio-OMC (1999) oficialmente, pois já dominava o mundo e fabricava a sua própria Coca-cola!
www.google.com.br/images.PIB Estados Unidos 16.768.50; China 9.181.204; Japão 4.898.532 ; Alemanha 3.730.261e Brasil 2.243.854 o quinto maior PIB (Produto Interno Bruto) em 2013.

Um salto de crescimento econômico intergaláctico eleva o dragão chinês, um imenso continente, ao patamar da segunda potência capitalista do planeta nos anos dois mil, século XXI. Todo mundo produz na China, a China é a “fábrica” do mundo e copia e falsifica todo mundo. O resultado? Um tsunami de pirataria, produtos falsificados, genéricos sem a menor responsabilidade com a qualidade das matérias primas, total irresponsabilidade ambiental, uso, abuso e crueldade com os trabalhadores, ops, escravos chineses, atolando o mundo de falsetas! Destaque para a América latina, principalmente para o Brasil que não somente virou um mero repassador de produtos ilegais como também estava produzindo e se tornando o principal vendedor de matérias primas (commodities minerais e agrícolas) e comprador e distribuidor das mercadorias chinesas piratas nos grandes shoppings legais e principalmente ilegais das grandes metrópoles!
Grandes lojas de departamentos  e hipermercados, além de vender produtos nacionais fruto de trabalho escravo (setor de confecções de SP) entulham-se mais e mais com produtos chineses. Lojas Americanas, C&A, Renner, Riachuelo, Zara, Rede Pão de Açúcar, Carrefour, Wal-Mart, Adidas citando alguns exemplos, passaram a vender caríssimo o que compram quase a custo zero: mercadorias feitas com o suor, sangue e vida dos trabalhadores chineses, indianos, tailandeses, vietnamitas, coreanos, brasileiros,etc. 
Mosaico a partir de images google e fotos Marina da Silva (BH-Brasil): Nos Estados Unidos "Tudo por ten dólares(US$10,00); No Reino Unido "Tudo por 99p ninety nine pounds e no Brasil "Tudo a partir de R$1,99"

A grande farra de mercadorias falsetas da China foi protagonizada por lojinhas populares “Tudo por 1,99” que pouco tempo depois trocaram o slogan “A partir de 1,99” e imediatamente se transformaram para “De 1,99 a 99” acompanhando o boom econômico, a descoberta dos mega campos de petróleo e gás da camada pré-sal e o aumento inimaginável da corrupção política e econômica da nação brasileira no atual “maior escândalo de roubo e corrupção” deflagrado pela Polícia Federal na operação Lava-jato! À corrosão e corrupção do caráter da produção se deu simultaneamente a corrosão e corrupção do caráter das pessoas colocando abaixo valores como ética, honra, compromisso, moral, respeito, hombridade, honestidade tanto no modo de produzir mercadorias como produzir e viver a vida humana. Para cada lado que se olhe no primeiro mundo, terceiro mundo, submundo lá estão expostos e à venda os corpos, a alma, a vida de trabalhadores escravizados e muita corrupção e assalto aos cofres públicos.
www.google.com.br/images.Complexo Paraísopolis, encravado num dos mais caro e luxuosos bairro de São Paulo: Morumbi.Como "limpar" os pobres do Morumbi? Grandes eventos e grandes obras públicas no padrão FIFA!
“Tudo que é sólido se desmancha no ar”, a frase profética de Karl Marx sobre a incontrolável e arrasadora força do capital se cristaliza pouco depois do centenário de sua morte! Uma miséria material e principalmente espiritual avassaladora atinge enormes contingentes populacionais pelo mundo imposta e cultivada pela “globalização”. Imensos bolsões de miséria convivem com o luxo e esplendor de riquezas concentradaS em mãos de poucos num mundo de potencialidades humanas inimagináveis! O mundo se divide novamente em dois blocos: consumidores de altíssimo luxo, um seletíssimo e restrito grupo e uma imensa massa de consumidores de falsetas, genéricos, produtos e vida 1,99! Um estilo de vida chulo, de parcas e deprimentes necessidades e aspirações materiais e principalmente espirituais! O caráter, o “ser” de homens e mulheres, a sociedade embotam-se à subsunção do corpo político à ignomínia capitalista, ao roubo descarado  e sua nova ordem mundial!

"A transformação da estrutura do mercado de trabalho teve como paralelo mudanças de igual importância na organização industrial. Por exemplo, a subcontratação organizada abre oportunidades para a formação de pequenos negócios e, em alguns casos, permite que sistemas mais antigos de trabalho doméstico, artesanal familiar (patriarcal) e paternalista ("padrinhos", "patronos", e até estruturas semelhantes da máfia) revivam e floresçam, mas agora como peças centrais, e não apenas apêndices do sistema produtivo. O retorno de formas de produção que envolvem exploração em cidades como Nova Iorque, Los Angeles, e Londres se tornou objeto de comentários na metade dos anos 70 e proliferou, em vez de diminuir, na década de 80. O rápido crescimento de economias "negras", "informais" ou subterrâneas" também tem sido documentado em todo o mundo capitalista avançado, levando alguns a detectar uma crescente convergência entre sistemas de trabalho "terceiromundistas" e capitalistas avançados." David Harvey in Condição pós-moderna, 1989; grifos meus


Rebaixados, desempregados, subempregados, terceirizados, precarizados, a renda limitada a acordar vivo no dia seguinte, necessidades espirituais e materiais reduzidas ao estado mínimo da sobrevivência chegamos ao século XXI no Life Style 1,99**, limitados, escravizados espiritualmente, corrompidos. Um estado naturalizado e banalizado nos países terceiro-mundistas que após a “Crise sub-prime em 2008 é instituído sem dó nem piedade, a ferro e fogo pelo Fundo Monetário Internacional ao Primeiro mundo capitalista.


http://imediata.org/?p=2551"Grécia – cobaia para o massacre social europeu – para sair da crise, trabalhem como escravos"

Muito pouco ou quase nada importa aos povos subdesenvolvidos terceiro-mundistas classificados como “bananas e vira-latas” pelo primeiro mundo aceitar a enganação, falsificação e corrupção dos produtos chineses em seus países de origem ou comprá-la nas feiras de importados nos Estados Unidos e Europa, mas é aviltante e humilha e dói aos povos que experimentaram com muito suor, trabalho duro e sangue em muitas guerras um “estado de bem-estar e renda invejáveis" ter que se submeter às intrusões, ingerências do FMI na economia e soberania nacionais dentro da Zona do Euro.

www.google.com.br/images.

A corrupção de ideais nobres, da moral, ética, honra em prol da super especulação financeiras da “Crise financeira mundial” que implodiu a economia de países como Portugal, Espanha, Itália, Grécia e a super exploração de povos escravizados e dos próprios nativos precarizados em prol das jogatinas financeiras e altas taxas de lucro para poucos capitalistas tornou o primeiro mundo num imenso barril de pólvora de pavio curto!
www.google.com.br/images. Crise do Euro, 2011.

 September Eleven 2001 Estados Unidos; Paris em Chamas 2005; ataques terroristas a Londres, a crise especulativa de 2008 com epicentro nos EUA e que devastou a zona do euro em 2011; os movimentos Occupy Wall Street; marchas contra corrupção; marchas contra o FMI, ascensão do Estado Islâmico e ataques terroristas, recrudescimento da xenofobia, os crimes raciais, aumento da pobreza e miséria de milhões de pessoas, etc, etc e tal também em marcha acelerada. Eis o “Day after” da reorientação capitalista neoliberal do último quartel do século XX em curso, mas...este é tema para um próximo artigo!

*Olá amigos do blog Marina da Silva: estive passando uns perrengues e como tenho limitações e dores no braço e mama D dei um "espação" nas minhas publicações. Agora volto com tudo, pelo menos um artigo quinzenal e quem sabe semanal. Obrigada pela paciência! Marina.

** Life Style 1.99 é uma expressão cunhada por mim na tentativa de apreender e entender um mínimo do atual fenômeno de apropriação e expropriação capitalista em todo o mundo!


BRAZIL $1,99: CORRUPÇÃO...

MUNDO $1,99: A CORRUPÇÃO DO CARÁTER HUMANO

Mosaico a partir de www.google.com.br/images. Em 1972 Nixon se "rende", apesar de anti-comunista, às possibilidades capitalistas na China. Nesse ano visita Deng Xiao Ping e Leonid Brejnev derretendo a "Guerra Fria".

Marina da Silva*


Quando no governo de Richard Nixon [1969-1973; 1974(Watergate e renúncia] os Estados Unidos congelaram a “Guerra fria” e abriram a China para o mundo capitalista, leia-se primeiro mundo, foi dada a largada para um retrocesso e perdas inimagináveis de todas as conquistas históricas humanas materiais e espirituais construídas ao longo processo de desenvolvimento da sociabilidade humana.
A Gold Age ou a era de ouro do capitalismo moderno – fase de reconstrução dos países assolados pelas duas Grandes Guerras – agonizava e chegava ao fim nos anos sessenta, século XX. A década seguinte, anos setenta com a crise do petróleo, base energética da indústria, o aumento exponencial da competição pelos mercados com a reconstrução da Europa, Japão (invasão de produtos) e ascensão de novas nações industrializadas, os tigres asiáticos jogaram “a pá de cal” no sistema fordista/taylorista. 
http://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/comercio.html "Nos anos 70, a importância das exportações de matérias-primas industriais, como produtos químicos e aço, entrou em declínio, e as exportações de maquinário e eletrônicos aumentaram conforme produtos de valor agregado ganhavam uma ênfase cada vez maior.
A partir dos anos 80 e até o início dos anos 90, houve um rápido aumento das exportações de produtos de tecnologia intensiva – como computadores, semicondutores, eletrônicos de uso comum, ferramentas industriais, máquinas de fax, automóveis e outros meios de transporte."
Produção em massa, massa de trabalhadores, plantas industriais gigantescas, sindicalismo de massa, forte e atuante vão sendo substituídos e adaptando-se à produção enxuta horizontalizada (Toyotismo e variantes) e criando um novo estilo de produzir, novas formas de gerência e relações de trabalho [subcontratação, terceirização, escravidão], dando fim ao sonho de progresso e ascensão social individual verticalizado! Uma fenomenal onda de novas tecnologias e descobertas científicas colocaram em curso uma mudança no caráter da produção: plantas industriais pequenas, uso intensivo da informatização, robotização, mecanização com base na microeletrônica, bioengenharia, etc, aliada à fantástica revolução nos meios de transporte e comunicação e fortalecimento do neoliberalismo (Estado Mínimo, privatizações)  foram solapando as conquistas sociais, enfraquecendo o sindicalismo combativo, o “estado de Bem-estar-social" e criando desemprego tanto pelo fechamento e relocalização industrial dentro da fronteira nacional e mesmo a dispersão geográfica de etapas da produção ou toda produção para países periféricos, leia-se China!
Foto Marina da Silva. Capa do livro. " E eu queria responder a grande pergunta: estaria a China entrando também na sociedade de consumo?" Henfil, 16-07-1977.

Em 1977, um ano após a morte de Mao-Tse-Tung, “o comunista roxo” Henfil chega a China “antes da Coca-Cola”e intuitivamente “sentiu” que havia algo suspeito no ar: um forte discurso ideológico autoritário comunista amparando e dando sustentação a produção capitalista!
Tiro certeiro, Henfil capturou o “espírito da coisa”, um sistema capitalista híbrido, o capitalismo-comunista ou comunismo-capitalista em seu nascedouro. Cerca de duas décadas após a visita histórica de Henfil,  a China entra para a Organização Mundial do Comércio-OMC (1999) oficialmente, pois já dominava o mundo e fabricava a sua própria Coca-cola!
www.google.com.br/images.PIB Estados Unidos 16.768.50; China 9.181.204; Japão 4.898.532 ; Alemanha 3.730.261e Brasil 2.243.854 o quinto maior PIB (Produto Interno Bruto) em 2013.

Um salto de crescimento econômico intergaláctico eleva o dragão chinês, um imenso continente, ao patamar da segunda potência capitalista do planeta nos anos dois mil, século XXI. Todo mundo produz na China, a China é a “fábrica” do mundo e copia e falsifica todo mundo. O resultado? Um tsunami de pirataria, produtos falsificados, genéricos sem a menor responsabilidade com a qualidade das matérias primas, total irresponsabilidade ambiental, uso, abuso e crueldade com os trabalhadores, ops, escravos chineses, atolando o mundo de falsetas! Destaque para a América latina, principalmente para o Brasil que não somente virou um mero repassador de produtos ilegais como também estava produzindo e se tornando o principal vendedor de matérias primas (commodities minerais e agrícolas) e comprador e distribuidor das mercadorias chinesas piratas nos grandes shoppings legais e principalmente ilegais das grandes metrópoles!
Grandes lojas de departamentos  e hipermercados, além de vender produtos nacionais fruto de trabalho escravo (setor de confecções de SP) entulham-se mais e mais com produtos chineses. Lojas Americanas, C&A, Renner, Riachuelo, Zara, Rede Pão de Açúcar, Carrefour, Wal-Mart, Adidas citando alguns exemplos, passaram a vender caríssimo o que compram quase a custo zero: mercadorias feitas com o suor, sangue e vida dos trabalhadores chineses, indianos, tailandeses, vietnamitas, coreanos, brasileiros,etc. 
Mosaico a partir de images google e fotos Marina da Silva (BH-Brasil): Nos Estados Unidos "Tudo por ten dólares(US$10,00); No Reino Unido "Tudo por 99p ninety nine pounds e no Brasil "Tudo a partir de R$1,99"

A grande farra de mercadorias falsetas da China foi protagonizada por lojinhas populares “Tudo por 1,99” que pouco tempo depois trocaram o slogan “A partir de 1,99” e imediatamente se transformaram para “De 1,99 a 99” acompanhando o boom econômico, a descoberta dos mega campos de petróleo e gás da camada pré-sal e o aumento inimaginável da corrupção política e econômica da nação brasileira no atual “maior escândalo de roubo e corrupção” deflagrado pela Polícia Federal na operação Lava-jato! À corrosão e corrupção do caráter da produção se deu simultaneamente a corrosão e corrupção do caráter das pessoas colocando abaixo valores como ética, honra, compromisso, moral, respeito, hombridade, honestidade tanto no modo de produzir mercadorias como produzir e viver a vida humana. Para cada lado que se olhe no primeiro mundo, terceiro mundo, submundo lá estão expostos e à venda os corpos, a alma, a vida de trabalhadores escravizados e muita corrupção e assalto aos cofres públicos.
www.google.com.br/images.Complexo Paraísopolis, encravado num dos mais caro e luxuosos bairro de São Paulo: Morumbi.Como "limpar" os pobres do Morumbi? Grandes eventos e grandes obras públicas no padrão FIFA!
“Tudo que é sólido se desmancha no ar”, a frase profética de Karl Marx sobre a incontrolável e arrasadora força do capital se cristaliza pouco depois do centenário de sua morte! Uma miséria material e principalmente espiritual avassaladora atinge enormes contingentes populacionais pelo mundo imposta e cultivada pela “globalização”. Imensos bolsões de miséria convivem com o luxo e esplendor de riquezas concentradaS em mãos de poucos num mundo de potencialidades humanas inimagináveis! O mundo se divide novamente em dois blocos: consumidores de altíssimo luxo, um seletíssimo e restrito grupo e uma imensa massa de consumidores de falsetas, genéricos, produtos e vida 1,99! Um estilo de vida chulo, de parcas e deprimentes necessidades e aspirações materiais e principalmente espirituais! O caráter, o “ser” de homens e mulheres, a sociedade embotam-se à subsunção do corpo político à ignomínia capitalista, ao roubo descarado  e sua nova ordem mundial!

"A transformação da estrutura do mercado de trabalho teve como paralelo mudanças de igual importância na organização industrial. Por exemplo, a subcontratação organizada abre oportunidades para a formação de pequenos negócios e, em alguns casos, permite que sistemas mais antigos de trabalho doméstico, artesanal familiar (patriarcal) e paternalista ("padrinhos", "patronos", e até estruturas semelhantes da máfia) revivam e floresçam, mas agora como peças centrais, e não apenas apêndices do sistema produtivo. O retorno de formas de produção que envolvem exploração em cidades como Nova Iorque, Los Angeles, e Londres se tornou objeto de comentários na metade dos anos 70 e proliferou, em vez de diminuir, na década de 80. O rápido crescimento de economias "negras", "informais" ou subterrâneas" também tem sido documentado em todo o mundo capitalista avançado, levando alguns a detectar uma crescente convergência entre sistemas de trabalho "terceiromundistas" e capitalistas avançados." David Harvey in Condição pós-moderna, 1989; grifos meus


Rebaixados, desempregados, subempregados, terceirizados, precarizados, a renda limitada a acordar vivo no dia seguinte, necessidades espirituais e materiais reduzidas ao estado mínimo da sobrevivência chegamos ao século XXI no Life Style 1,99**, limitados, escravizados espiritualmente, corrompidos. Um estado naturalizado e banalizado nos países terceiro-mundistas que após a “Crise sub-prime em 2008 é instituído sem dó nem piedade, a ferro e fogo pelo Fundo Monetário Internacional ao Primeiro mundo capitalista.

http://imediata.org/?p=2551"Grécia – cobaia para o massacre social europeu – para sair da crise, trabalhem como escravos"

Muito pouco ou quase nada importa aos povos subdesenvolvidos terceiro-mundistas classificados como “bananas e vira-latas” pelo primeiro mundo aceitar a enganação, falsificação e corrupção dos produtos chineses em seus países de origem ou comprá-la nas feiras de importados nos Estados Unidos e Europa, mas é aviltante e humilha e dói aos povos que experimentaram com muito suor, trabalho duro e sangue em muitas guerras um “estado de bem-estar e renda invejáveis" ter que se submeter às intrusões, ingerências do FMI na economia e soberania nacionais dentro da Zona do Euro.

www.google.com.br/images.

A corrupção de ideais nobres, da moral, ética, honra em prol da super especulação financeiras da “Crise financeira mundial” que implodiu a economia de países como Portugal, Espanha, Itália, Grécia e a super exploração de povos escravizados e dos próprios nativos precarizados em prol das jogatinas financeiras e altas taxas de lucro para poucos capitalistas tornou o primeiro mundo num imenso barril de pólvora de pavio curto!
www.google.com.br/images. Crise do Euro, 2011.

 September Eleven 2001 Estados Unidos; Paris em Chamas 2005; ataques terroristas a Londres, a crise especulativa de 2008 com epicentro nos EUA e que devastou a zona do euro em 2011; os movimentos Occupy Wall Street; marchas contra corrupção; marchas contra o FMI, ascensão do Estado Islâmico e ataques terroristas, recrudescimento da xenofobia, os crimes raciais, aumento da pobreza e miséria de milhões de pessoas, etc, etc e tal também em marcha acelerada. Eis o “Day after” da reorientação capitalista neoliberal do último quartel do século XX em curso, mas...este é tema para um próximo artigo!

*Olá amigos do blog Marina da Silva: estive passando uns perrengues e como tenho limitações e dores no braço e mama D dei um "espação" nas minhas publicações. Agora volto com tudo, pelo menos um artigo quinzenal e quem sabe semanal. Obrigada pela paciência! Marina.

** Life Style 1.99 é uma expressão cunhada por mim na tentativa de apreender e entender um mínimo do atual fenômeno de apropriação e expropriação capitalista em todo o mundo!

14 julho 2015

BRAZIL: TODO MUNDO ODEIA...JUDEUS?

Um Vestido Novo Para Um Ódio Antigo
Barack Obama
www.google.com.br/images "Oriente Médio. EUA e Irã: um acordo nuclear histórico. por José Antonio Lima — publicado 14/07/2015 http://www.cartacapital.com.br/internacional/eua-e-ira-chegam-a-historico-acordo-nuclear-6108.html  .O acerto abre as portas para o Irã exercer seu papel de potência regional e, por isso, apavora Israel e a Arábia Saudita"
Por Pilar Rahola
"Segunda-feira à noite, em Barcelona. 
  
No auditorio, uma centena de advogados e juizes.
Eles se encontraram para ouvir minhas opiniões sobre o conflito do Oriente Médio.
Eles sabem que eu sou um barco heterodoxo, no naufrágio do pensamento único, que reina em meu país, sobre Israel.
Eles querem me escutar.
Alguém razoável como eu, dizem, por que se arrisca a perder a credibilidade, defendendo os maus, os culpados?
Eu lhes falo que a verdade é um espelho quebrado, e que todos nós temos algum fragmento. E eu provoco sua reação: "todos vocês se sentem especialistas em política internacional, quando se fala de Israel, mas na realidade não sabem nada.
Será que se atreveriam a falar do conflito de Ruanda, da Caxemira, da Chechenia?". Não. São juristas, sua área de atuação não é a geopolítica. Mas com Israel se atrevem a dar opiniões. Todo mundo se atreve. Por quê?
Porque Israel está sob a lupa midiática permanente e sua imagem distorcida contamina os cérebros do mundo. E, porque faz parte da coisa politicamente correta, porque parece solidariedade humana, porque é grátis falar contra Israel.
E, deste modo, pessoas cultas, quando lêem sobre Israel estão dispostas a acreditar que os judeus têm seis braços, como na Idade Média, elas acreditavam em todo tipo de barbaridades.
Sobre os judeus do passado e os israelenses de hoje, vale tudo.
A primeira pergunta é, portanto, por que tanta gente inteligente, quando fala sobre Israel, se torna idiota.
O problema que temos, nós que não demonizamos Israel, é que não existe debate sobre o conflito, existe rótulo; não se troca ideias, adere-se a slogans; não desfrutamos de informações sérias, nós sofremos de jornalismo tipohambúrguer, fast food, cheio de preconceitos, propaganda e simplismo.
O pensamento intelectual e o jornalismo internacional renunciaram a Israel.
Não existem. É por isso que, quando se tenta ir mais além do pensamento único, passa-se a ser o suspeito, o não solidário e o reacionário, e o imediatamente segregado.
Por quê?
Eu tento responder a esta pergunta há anos: por quê?
Por que de todos os conflitos do mundo, só este interessa?
Por que se criminaliza um pequeno país, que luta por sua sobrevivência?
Por que triunfa a mentira e a manipulação informativa, com tanta facilidade?
Por que tudo é reduzido a uma simples massa de imperialistas assassinos?
Por que as razões de Israel nunca existem?
Por que as culpas palestinas nunca existem?
Por que Arafat é um herói e Sharon um monstro?
Em definitivo, por que, sendo o único país do mundo ameaçado com a destruição é o único que ninguém considera como vítima?
Eu não acredito que exista uma única resposta a estas perguntas.
Da mesma forma que é impossível explicar a maldade histórica do antissemitismo completamente, também não é possível explicar a
imbecilidade atual do preconceito anti-Israel.
Ambos bebem das fontes da intolerância, da mentira e do preconceito.
Se, além disso, nós aceitarmos que ser anti-Israel é a nova forma de ser antissemita, concluímos que mudaram as circunstâncias, mas se mantiveram intactos os mitos mais profundos, tanto do antissemitismo cristão medieval,
como do antissemitismo político moderno.
E esses mitos desembocam no que se fala sobre Israel. Por exemplo, o judeu medieval que matava as crianças cristãs para beber seu sangue, se conecta diretamente com o judeu israelense que mata as crianças palestinas para ficar com suas terras.
 Sempre são crianças inocentes e judeus de intenções obscuras.
Por exemplo, a ideia de que os banqueiros judeus queriam dominar o mundo através dos bancos europeus, de acordo com o mito dos Protocolos (dos Sábios de Sião), conecta-se diretamente com a ideia de que os judeus de Wall Street dominam o mundo através da Casa Branca.
O domínio da imprensa, o domínio das finanças, a conspiração universal, tudo aquilo que se configurou no ódio histórico aos judeus, desemboca hoje no ódio aos israelenses.
No subconsciente, portanto, fala o DNA antissemita ocidental, que cria um eficaz caldo de cultura.
Mas, o que fala o consciente?
Por que hoje surge com tanta virulência uma intolerância renovada, agora centrada, não no povo judeu, mas no estado judeu?
Do meu ponto de vista, há motivos históricos e geopolíticos, entre eles o sangrento papel soviético durante décadas, os interesses árabes, o antiamericanismo europeu, a dependência energética do Ocidente e o crescente fenômeno islâmico.
Mas também surge de um conjunto de derrotas que nós sofremos como sociedades livres e que desemboca em um forte relativismo ético."
*****************************************************************
Pilar Rahola I. Martínez Nasceu em 21/10/1958 é jornalista e escritora catalã, com formação política e MP.
Estudou Espanhol e Filosofia Catalã na Universidade de Barcelona. Possui vários livros e artigos publicados, palestrante internacional requisitada pela mídia e universidades, é colunista do La Vanguardia, na Espanha; La Nacion, na Argentina e do Diário da América, nos Estados Unidos.
De 1987 a 1990 Rahola cobriu a Guerra na Etiópia, Guerra dos Balkans, Guerra do Golfo e a Queda do Muro de Berlim como diretora da publicação Pòrtic.

Suas áreas de atuação incluem Direito das Mulheres, Direito Humano
Internacional, e Defesa dos Animais. Nos últimos anos tem exposto seu ponto de vista sobre Israel e o Sionismo.
Entre diversos prêmios recebidos: Doutor Causa Honoris na
Universidade de Artes e Ciência da Comunicação, em Santiago do Chile (2004), pela sua luta em favor dos direitos humanos; Prêmio Javer Shalom, pela comunidade judaica chilena pela sua luta contra o
antisemitismo; Cicla Price (2005), pelo mesmo motivo; Membro de Honra da Universidade de Tel Aviv (2006); Golden Menora entregue pela Bnai Brith francesa (2006); Laureada com o premio Scopus pela
Universidade Hebraica de Jerusalém (2007); participou como convidada de honra em diversas ocasiões, entre elas no AIPAC de Conferência Política (2008); em 2009 recebeu prêmio da Federação das Comunidades Judias da Espanha, Senador Angel Pulido e Prêmio Mídia de Massa pelo Comitê Judaico Americano pela luta pelos Direitos Humanos; A Liga Anti Difamação lhe concedeu o prêmio Daniel Pearl “pela sua dedicação e comprometimento a um jornalismo honesto e responsável baseado em um código de ética e por falar honestamente ao público”; recebeu o prêmio Morris Abram entregue pela UN pela sua defesa aos Direito Humanos, Genebra, 2011, entre outros.